segunda-feira, 27 de junho de 2011

A corporação



Baseado no livro The corporation - the pathological pursuit of profit and power de Joel Bakan, A corporação é um documentário que nos apresenta um pouco do que acontece no mundo das grandes corporações. O filme mostra os vários crimes cometidos por essas organizações e como eles afetam nossas vidas diretamente. O único objetivo dessas empresas é o lucro, mesmo que para isso tenham que destruir o meio ambiente, explorar o trabalho infantil ou até provocar doenças mortais nos consumidores de seus produtos.

Perante a lei norte americana, as corporações são reconhecidas como ‘indivíduos’, ou seja, gozam de direitos como qualquer cidadão. Porém, quando se trata dos crimes cometidos por elas, não existe uma pessoa real para ser responsabilizada pelas atrocidades cometidas por estas empresas. Partindo da ideia de que corporações são indivíduos, o documentário tenta traçar um “perfil psicológico” desses indivíduos. Segundo alguns entrevistados no documentário, trata-se de um caso grave de psicopatia.

Psicopatia é uma doença mental grave, caracterizada pela ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa por atos cruéis. Todos esses sintomas descrevem com precisão a postura adotada pelas corporações diante da sociedade. Algumas destas empresas demonstram frieza ao explorarem a mão de obra barata de países pobres - inclusive de crianças, para obter maiores lucros. Outras empresas manipulam a população através de propagandas para que as pessoas acreditem que precisam consumir cada vez mais. Novamente o objetivo é o lucro. Outras ainda demonstram total falta de remorso ao utilizarem um produto químico (BST) nas vacas para aumentar a produção de leite que causa dores horríveis no animal e ainda é prejudicial à saúde humana.


O documentário conta com entrevistas e comentários de nomes de peso como Noam Chomsky, Milton Friedman, Mark Moody-Stuart (ex-dirigente mundial da Shell) e Vandana Shiva. A corporação se encaixa muito bem na temática meio ambiente, pois apresenta um dos grandes causadores de problemas ambientais no mundo: a exploração desmedida de recursos naturais e o modelo de produção desumanizado. O filme é um retrato da situação atual deste planeta que grita por mudanças antes que seja tarde demais.

Ficha técnica:
Título Original: The corporation
País de origem: Canadá
Diretor: Mark Achbar
Ano: 2003
Roteirista: Joel Bakan

sábado, 18 de junho de 2011

Amazônia adentro

Foto qualquer encontrada pelo grande oráculo da internet
Por alguma razão, esta temática Meio Ambiente está dominada pelo gênero documentário. Os filmes a serem exibidos na noite de terça-feira (dia 21, às 20:00) no SESC não fogem à regra: são documentários. Mais que isso, são documentários bastante peculiares.

Em Cidadão Jatobá, de Maria Luiza Aboim (1987) e com 14 minutos de duração, a câmera acompanha o feitio de uma canoa. Índios do Parque Nacional do Xingu escolhem o jatobá, recortam a casca da árvore (que continua em pé e provavelmente saberá recriar sua pele), moldam a casca com a ajuda da brasa e dos mais velhos e por fim iniciam a canoa na água. Esses índios falam a sua língua, se vestem de urucum e praticam seus costumes e rituais. Esses índios não desperdiçam recursos ou esforços na construção de sua canoa. A peculiaridade deste documentário, contudo, não está no processo filmado, mas na montagem do objeto. O narrador de Cidadão Jatobá é Marcos Terena, do Alto Xingu. Esse narrador não narra a elaboração da canoa, nem mesmo se refere aos índios empenhados nela. Enquanto índio tutelado pela FUNAI, Marcos Terena fala do seu processo kafkiano de emancipação.

No rio das Amazonas é de Ricardo Dias (1995) e tem 76 minutos de duração. Não aparecem amazonas, as guerreiras. Aparece o rio Amazonas. Ricardo Dias e Paulo Vanzolini (compositor e zoólogo)  fazem uma viagem de barco de 40 dias, saindo de Belém com destino a Manaus. A peculiaridade deste documentário é a horizontalidade: não existe hierarquia de vozes: as imagens, os ribeirinhos, o especialista (Vanzolini), o narrador em primeira pessoa (Ricardo Dias) e os recursos didáticos têm a mesma força.

No rio das Amazonas é um documentário bem equilibrado sobre a fauna, flora e ocupação humana nas margens do rio Amazonas. Não espanta que quando os tripulantes aportam numa cidade qualquer, acham tudo feio, sujo e barulhento. Somente os 'mateiros,' que vivem em comunidades relativamente pequenas (uma família, por exemplo), é que se integram à Natureza. Os urbanos vieram em massa (a primeira explosão demográfica se deu nos anos 80) e reproduziram o velho modelo da exploração predatória, do desperdício e da poluição.

Muito mais do que um estudo focado num assunto, estes dois documentários são fruto de experiências particulares. Walter Benjamin faz uma distinção interessante entre erfahren (= saber, experienciar) e erleben (= vivenciar, experienciar). Documentários como, por exemplo, Ônibus 174, manipulam saberes adquiridos pela via cognitiva (erfahren): há pesquisa, entrevista, investigação por trás deste tipo de documentário. Os dois documentários em questão aqui manipulam saberes adquiridos do contato: são testemunhos de uma vivência (erleben). E Leben é vida em alemão. Viva a Amazônia!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma verdade inconveniente


O filme Uma verdade inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim, é uma criação visual impactante. O filme foi elaborado através das pesquisas e palestras de Al Gore ao redor do mundo. Ele esclarece a problemática ambiental, as causas e consequências do aquecimento global de forma realista e alarmante.

Al Gore utiliza meios audiovisuais (como dados cientííicos e imagens de fenômenos naturais), para argumentar que a temperatura da Terra está aumentando e que a causa disso são as próprias ações dos homens. Além de dar uma explicação tradicional sobre o aquecimento global, Al Gore utiliza uma animação inovadora.

Teoricamente, o aquecimento global é causado pela concentração de gases na atmosfera, os chamados gases de efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), que por sua vez causam o aumento da temperatura terrestre. A queima de combustíveis fósseis e o desmatamento tem sido a principal fonte desses gases poluentes. 
Ao falar sobre as mudanças climáticas, primeiramente Al Gore discute a ignorância das pessoas com relação a esse fenômeno. Ele diz que, por a Terra ser extensa, as pessoas acabam acreditando que é impossível causar um impacto nocivo no ambiente terrestre. Essa temática nos alerta para os desastres ambientais cujos grandes causadores somos nós mesmos. Exercemos atividades que diretamente ou indiretamente interferem nesses fenômenos (enchentes, furacões, degelo etc.) que estão acontecendo.

Há quem pense o contrário quanto a essa parcela de culpa humana. Os chamados “céticos do aquecimento global”, citados por Al Gore, são pessoas que acreditam que a Terra está aquecendo devido a causas naturais. Para eles, tais mudanças climáticas ocorrem desde a origem da Terra, sob a ação ou não do Homem, por exemplo, as Eras Glaciais. Contudo, essas mudanças climáticas, explica Al Gore, ocorreram com variações naturais nos níveis de dióxido de carbono menores do que as que notamos hoje.

O filme nos alerta sobre as principais causas e consequências do aquecimento global, mostra o quão agressivos somos com o meio ambiente. E ao mesmo tempo, demonstra que existem soluções para minimizar esses impactos que estão acontecendo. Assim, Al Gore finaliza sua reflexão, cabendo a nós reverter tudo isso através de nossas ações.

“Cada um de nós é uma causa de aquecimento global; mas cada um de nós pode se tornar parte da solução - em nossas decisões sobre o produto que compramos a eletricidade que usamos o carro que dirigimos o nosso estilo de vida. Podemos até fazer opções que reduzam a zero as nossas emissões de carbono.” Al Gore
 

  
Ficha-técnica:
Título original: An inconvenient truth
Gênero: Documentário 
Duração: 94 min
Direção: Davis Guggenheim
Elenco: Al Gore
Ano de lançamento: 2006
Origem: EUA


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um outro modo de ver as coisas


Esta semana iniciamos nossa temática Meio Ambiente, em referência ao dia 5 de junho, Dia do Meio Ambiente. Durante o mês de junho e na primeira sexta-feira de julho, vamos exibir filmes que tratam dessa questão tão falada e pouco praticada em nossa sociedade.

Nesta sexta-feira (10/06) vamos compartilhar com os nossos cineclubistas três filmes que abordam a temática por diferentes aspectos que se complementam. O primeiro filme é Um Outro Modo de Ver as Coisas, escrito por Daisaku Ikeda e dirigido por Cory Taylor, com o apoio da Soka Gakkai Internacional (SGI).
O filme trata de uma viagem do então jovem historiador britânico Arnold Toynbee aos campos de batalha entre a Grécia e a Turquia, nos idos de 1920. A postura de Toynbee em "ouvir o outro lado", mostrando as crueldades cometidas pelos gregos (apoiados pelos norte-americanos - sempre eles!) contra civis turcos, não agradou a sociedade europeia da época, cúmplice das atrocidades da guerra greco-turca. O texto de Ikeda relata o depoimento que o próprio Toynbee fez quando da ocasião de um diálogo que realizaram, que resultou num livro intitulado Escolha a Vida.
O segundo filme é Uma Revolução Silenciosa, também dirigido por Cory Taylor, com o apoio da SGI. No filme são contadas experiências exitosas com relação aos grandes problemas ambientais que o planeta enfrenta. Trata da força que iniciativas individuais podem ter quando conseguem romper a barreira do que se acreditava impossível. Sem apoio de seus governos, essas pessoas iniciam movimentos que promovem uma verdadeira revolução silenciosa. Para os mais céticos, o filme apresenta uma proposta esperançosa de mudar o mundo para que ele fique bom para todos que o habitam. Coleta de água da chuva, método seguro de destruição de poluentes orgânicos persistentes (POP's) e o Movimento Cinturão Verde, são alguns do exemplos que o filme nos traz.
O terceiro filme é o consagrado Ilhas das Flores, de Jorge Furtado. Com relação a este filme não há muito o que dizer, pois é bem conhecido do público brasileiro. De forma brilhantemente didática, Jorge Furtado nos apresenta o cotidiano de uma comunidade real com cenas fortíssimas sobre a degradação da condição humana promovida pelo próprio humano. O curta-metragem consegue ser divertido, educativo e altamente esclarecedor das desigualdades sociais promovidas pelo capitalismo.
Assim será nossa sessão do cineclube DeLírio desta semana. Apareça e apresente a sua estratégia de ação!

Créditos:
Um Outro Modo de Ver as Coisas - Escrito por Daisaku Ikeda, direção Cory Taylor, EUA, 21 min. 2004.
Ganhador do Golden Reel Award de Melhor curta-metragem no 3º Festival Internacional de Cinema de Tiburon.
Uma Revolução Silenciosa - Direção Cory Taylor, EUA, 30 min. 2002.
Ilha das Flores - De Jorge Furtado, Brasil, 13 min. 1989.